sábado, 24 de julho de 2010

FIGO, JACA, FRUTA-PÃO E SUAS PARENTES

FIGO, UMA FRUTA CONHECIDA HÁ MILÊNIOS


Nativas da Ásia e conhecidas desde a pré-história, as figueiras produtoras do fruto comestível que conhecemos como figo pertencem a um grande gênero de plantas (Ficus), com várias espécies espalhadas por praticamente todo o mundo. Esse gênero, por sua vez, faz parte da família das Moráceas, a mesma da jaca, que é nativa da Índia, e da fruta-pão, originária do arquipélago malaio, ambas também muito comuns no Brasil porque foram trazidas pelos portugueses há mais de dois séculos.Pertencem também à grande família das moráceas o lúpulo europeu e a maconha asiática (veja boxe no final do livro).
Os figos comestíveis provêm da figueira comum (Ficus carica, que em latim significa “figo da Cária”, região da Ásia banhada pelo mar Mediterrâneo, de onde a planta é originária). É uma árvore de porte pequeno, que nos pomares é podada para tornar-se arbustiva.
Os figos já eram usados como alimento pelo homem das cavernas, sendo encontrados restos desses frutos em túmulos milenares.
Os egípcios representaram figos em seus templos e pirâmides (como a de Gizé, de 56 séculos, que ostenta a imagem de uma figueira) e os gregos também os retrataram em sua arte, evidenciando que fazia parte cotidiana da alimentação desses povos. Isso sem falar nos hebreus, que citam a planta na Bíblia.

Castigada pelo deus Baco

Na mitologia grega o deus Baco transformou em figueira a ninfa Syke (que dá origem à palavra grega sycone, isto é, figo) porque ela não quis conceder-lhe favores.
Outras divindades se envolveram com a charmosa figueira (Ceres, Hermes, Juno , Phytalo, Rhea, Saturno, etc.), conta Pio Corrêa em seu Dicionário das Plantas Úteis no Brasil e das Exóticas Cultivadas, um clássico da literatura botânica.
Festas do figo eram promovidas no Egito, na Grécia e na Roma antigas. A lenda conta que Rômulo e Remo foram alimentados por uma loba sob uma figueira – que certamente também lhes concedia frutos.
Muitos arqueólogos acreditam que foram os figos que alimentaram as crescentes comunidades humanas da Idade da Pedra, antes de serem descobertas as técnicas de processamento dos cereais.

Órgão feminino

Por incrível que pareça, o fruto do figo é uma flor “inchada”, que quando jovem possui uma pequena abertura para dar entrada aos minúsculos insetos que a polinizam. Na verdade as flores são microscópicas e ficam na entrada dessa pequena abertura do figo.
A figueira é especificamente adaptada para polinização por um tipo de besourinho chamado Blastophaga grossorum ou Blastophaga psenes. Mas ela também pode se autopolinizar, na falta dos insetos. A parte feminina da flor incha e ela vira então uma fruta.
O escritor D. H. Lawrence considera o figo símbolo do órgão feminino em O Amante de Lady Chaterlley. Em italiano, significativamente, a palavra figa refere-se ao órgão feminino.
A maioria das mudas das figueiras não é obtida por sementes e sim por estacas de galho, embora a obtenção de mudas por sementes possa melhorar o sabor e a qualidade dos frutos por meio da hibridação.
Na Europa, para atrair insetos que polinizam as figueiras, costuma-se plantar perto delas exemplares da figueira de tocar ou figueira de capri. Essa técnica, chamada de caprificação, permite obter figos especiais, como os de Esmirna, na Turquia.
Na França, para obter frutos maiores, desenvolveu-se uma técnica de pingar uma gota de óleo de oliva no “furinho” de cada figo (na verdade “entrada” da flor) para que os frutos sejam maiores e mais suculentos.
Uso religioso
Entre os árabes o figo está associado a práticas religiosas de mais de mil e quinhentos anos, remanescente de mitos anteriores. Com o figo é preparado o rub, espécie de tempero de certos pratos associados a cerimônias religiosas.
Os árabes também o misturam o figo seco com azeite de oliva e farinha de cevada, formando uma pasta, o tummem, segundo informa o botânico Pio Corrêa. “Os israelitas extraem do figo uma bebida espirituosa chamada arachi carmuss, a qual deve corresponder à aguardente araki, que ainda (...) é fabricada na ilha de Chipre”, acrescenta o especialista. Pio Corrêa explica que na Itália fazem vinho com os figos e seu sabor se assemelha ao da cerveja. “Na ilha de Chipre fabricam até um vinagre especial.”
Durante a Segunda Guerra Mundial (139-1945), o figo seco torrado foi usado para substituir o café. “Os austríacos entendem até que não há café bom se não levar mistura de figo”, conta Pio Corrêa.
O látex branco que a árvore ou suas folhas exsudam quando feridas, que também é medicinal quando usado com muito critério, serve para coagular o leite e produzir um tipo de iogurte.

Propriedades medicinais

Do ponto de vista medicinal o figo é conhecido desde a antiguidade como uma fruta peitoral, capaz de curar problemas dos pulmões.
Essa fama se deve aos antibióticos e às gomas e mucilagens protetoras de mucosas contidas nos figos, principalemente nas cascas, que também devem ser comidas depois de lavar bem para tirar o pó azulado (fungicida) Mucilagens e gomas são aquelas “gosmas” que as plantas produzem e que têm a virtude de proteger e revitalizar pele e mucosas inflamadas. A diferença é que as gomas se diluem mais rapidamente na água e as mucilagens ficam empastadas.
A ação protetora das gomas e mucilagens se deve à barreira física que a mucilagem cria entre a pele ou mucosa e micróbios como bactérias e também a certos flavonóides antibióticos contidos nessas mucilagens.
Várias reputações que o figo carrega desde a antiguidade foram confirmadas pela ciência, como a de que é um ótimo alimento, a de que serve para tratar problemas do aparelho respiratório, de que é digestivo, de que estimula o fígado e de que é levemente laxante e diurético.
O único problema dessa fruta para a dieta dos nossos dias é que tem excessiva quantidade de açúcar, o que limita seu uso aos diabéticos e aos que estão controlando o peso.
Limitar o uso, entretanto, não significa cortar o figo da dieta. Comer um figo por dia não faz mal a ninguém: pelo contrário, o consumo constante regulariza o intestino e melhora a respiração como por encanto.
Tanto os frutos maduros como as folhas podem ser secos ao sol para conservação prolongada. Os frutos, entretanto, devem ser guardados em sacos de pano e as folhas, em vidros bem tampados.

Cultivo trabalhoso

As figueiras são cultivadas em propriedades pequenas porque exigem muita mão-de-obra: é preciso fazer poda seca no inverno, uma poda verde durante o verão, controlar plantas invasoras, fazer adubações e colheitas freqüentes.
O custo da produção é baixo, comparado com outras frutas, porque a figueira só é atacada gravemente por uma praga: a ferrugem (fungo), que é combatida com fungicidas à base de cobre, como calda bordalesa.
No Brasil, a figueira encontra condições ideais de cultivo na região Sul, pois é arvore de clima temperado. Essa árvore, entretanto, aceita climas tropicais, desde que o solo seja bom.
Em São Paulo, é cultivada na região de Valinhos, que tem clima mais ameno. Mas também produz bem no Vale do Rio São Francisco, no Nordeste, onde é cultivada para produção de figos secos, por causa da maior insolação. A variedade mais comum no País é o figo-roxo-de-valinhos.
A figueira se reproduz por estacas de galho e as melhores mudas são dos galhos mais altos e não dos que crescem rente ao solo. A estaca deve ter de 25 cm a 30 cm e precisa ser cortada rente ao nó, tanto em cima quanto embaixo – ficando, portanto, apenas com dois nós no meio. As estacas devem ser plantadas em viveiros para posterior transplante em terrenos definitivos.
A figueira pode ser também cultivada em vasos grandes, como planta ornamental. As mudas de estacas de galho frutificam já no primeiro ano de cultivo. Desde que tome bastante sol, seja adubada, podada e regada, a figueira em vaso terá belo aspecto e produzirá bons frutos.

Nunca use como bronzeador

Algumas receitas caseiras incluem chá de folhas de figo como bronzeador, mas isso é absolutamente contra-indicado.
Nunca exponha ao sol a pele que entrou em contato com as folhas ou a seiva da figueira ou mesmo os figos verdes porque eles contêm uma substância chamada psoraleno, um tipo de furocumarina.
O psoraleno torna a pele sensível aos raios ultra-violeta do sol, provocando queimaduras graves e até fatais se atingirem grande parte de corpo. Já houve casos de pessoas que morreram com queimaduras por todo o corpo por terem passado óleo de bronzear com folha de figo na pele para se bronzear.


Princípios ativos
Açúcares, gomas, mucilagens, pectinas, resinas, proteínas, ácidos, sais minerais, água, aleurona, cálcio, fermento (ficina) e furocumarina.



FICHA TÉCNICA DO FIGO

Ingredientes em cada 100 g de polpa de figo fresco

Calorias 68,20
Carboidratos 15,55 g
Proteínas 1,35 g
Gorduras 0,70 g
Vitamina A 215 U.I.
Vitamina B1 – tiamina 50 mcg
Vitamina B2 – riboflavina 50 mcg
Vitamina B5 – niacina 0,44 mg
Vitamina C – ácido ascórbico 7,3 mg
Potássio 384 mg
Cálcio 50 mg
Fósforo 35 mg
Sódio 27 mg
Ferro 0,70 mg


RECEITUÁRIO

Contra irritações na garganta
Ferva 1 figo maduro picado em ½ xícara (chá) de água por 5 minutos. Deixe amornar, coe e faça gargarejos.

Para aliviar abscessos nas gengivas
Mastigue levemente por cinco minutos ½ figo maduro cozido em ½ xícara (chá) de leite por 5 minutos. Depois cuspa e lave a boca com água morna.
Suco revitalizante
Misture 2 ou 3 figos secos amassados com ½ copo americano de suco de limão e 2 colheres (sopa) de mel. Tome pela manhã.

Contra gripes e resfriados
Ferva 1 figo seco picado e 1 colher (sobremesa) de folha seca de figo picada em 1 xícara (chá) de água por 5 minutos. Coe, tempere com mel e tome 1 colher (sopa) 2 a 3 vezes ao dia. Crianças devem tomar metade da dose.
Laxante leve
Ferva 1 figo seco picado em 1 xícara (chá) de água por 3 minutos. Apague o fogo, tampe e deixe repousar 12 horas. Tome o chá de manhã em jejum e coma o figo cozido.

Contra verrugas e calos
Extraia o látex branco que sai quando uma folha é cortada e aplique 1 gota no calo ou na verruga, protegendo a pele ao redor. Não exponha ao sol, pois o látex do figo torna a pele sensível e pode causar queimaduras graves. As verrugas devem ser sempre examinadas por médicos.



Expectorante
Cozinhe 1 figo seco picado em ½ xícara (chá) de leite em fogo baixo por 2 minutos depois de ter levantado fervura. Deixe amornar, coe e tome às colheradas ao longo do dia.

Contra cálculos biliares ou renais
Coma pelo menos 3 figos maduros por dia na maior parte do ano.

Para incentivar queima de calorias
Bata 2 figos com 1 pedacinho de gengibre e ½ copo de suco de laranja. Adoce com adoçante e tome depois das principais refeições. Também combate vermes.

Contra inflamações urinárias
Ferva por 10 minutos 6 figos maduros picados e ½ xícara de chá de figos secos picados em 1 litro de água. Deixe esfriar tampado e coe. Tome ao longo do dia.
Contra verrugas
Deixe de molho 1 figo verde em ½ xícara (chá) de vinagre. Passe na verruga todas as manhãs. Mas lembre que verrugas são crescimentos anormais de células, que podem ser causados por vírus ou outros problemas e em alguns casos, ser câncer de pele. Por isso um médico deve ser consultado nesses casos.


Contra vermes
Bata no liquidificador 4 figos maduros em ½ xícara de leite morno e tome toda manhã e toda noite em jejum, sem adoçar, durante 15 dias.


COSMÉTICA

Contra a caspa
À noite, antes de dormir, misture 4 figos secos, 1 colher (chá) de sal e ½ xícara chá de vinagre e aplique nos cabelos, massageando suavemente durante 5 minutos. Depois aplique uma toalha quente e deixe agir 10 minutos. Em seguida lave com água morna, sem sabão. Só volte a usar sabonete neutro ou de preferência sabonete de alcatrão no banho matinal do dia seguinte.
Contra manchas e sardas
Pique 5 figos maduros e despeje sobre ½ litro de água destilada. Tampe o recipiente e deixe a água absorver as substâncias do figo durante seis horas. Depois coe e aplique, à noite, várias vezes no rosto, com movimentos circulares. Só lave com sabão neutro na manhã do dia seguinte.

Para eliminar manchas e sardas da pele
Misture 1 gota de látex branco extraído dos cabos das folhas da figueira com 1 colher (sopa) de água morna e passe de noite sobre as sardas com um cotonete. Passe várias vezes e deixe secar. De manhã lave delicadamente com sabão neutro e água fria. Não exponha o rosto ou os locais tratados ao sol enquanto estiver fazendo o tratamento.
CULINÁRIA

Figo em calda
(receita com segredo)

Esse doce delicioso é feito com figos verdes. O problema é que os figos verdes possuem uma pele penugenta que os torna indigestos. Para ter um bom doce é necessário tirar essa película. Quem não conhece o macete que vamos revelar a seguir tem de descascar um a um. Mas você poderá fazer uso do seguinte segredo dos chefs: encha uma panela com figos verdes e cubra com água. Mergulhe um saco de pano bem amarrado com 5 colheres (sopa) de cinza. Ferva por 10 minutos, escalde, espere esfriar um pouco e limpe figo por figo esfregando com um pano de cozinha áspero. A penugem vai sair toda, sem muito trabalho.
Agora os figos já estão prontos para fazer o doce em calda: faça um corte em cruz no bojo de cada figo e coloque-os numa panela com água e açúcar (para cada 3 kg de figos verdes limpos da penugem são necessários 1 e ½ litro de água e 1 e ½ kg de açúcar). Cozinhe até ficar macio. Tire da calda, que deverá continuar no fogo para apurar. Depois despeje a calda sobre os figos e guarde-os em recipiente tampado. (Receita fornecida por J. D. Leonel)

Licor de figo
Misture 350 g de açúcar cristal em 1 e ½ litro de aguardente e mergulhe 30 folhas maduras de figo lavadas e enxugadas. Deixe macerar durante 21 dias em local escuro. Coe num pano fino e engarrafe. (Receita fornecida por J. D. Leonel)

Pudim de figo e frutas secas
Bata pouco tempo no liquidificador 1 xícara (chá) de passas brancas sem sementes, 1 xícara (chá) de ameixas pretas sem caroço picadas, 1 xícara (chá) de figos secos picados em 1 xícara (chá) de leite de amêndoas. Tire do liquidificador, acrescente mais 3 xícaras (chá) de leite de amêndoas e 3 xícaras (chá) de pão seco moído. Mexa bem e ponha em fôrma com furo no meio, própria para pudim. Cozinhe em banho-maria por 1 e ½ hora. Deixe esfriar e leve para a geladeira por no mínimo 2 horas. Desenforme e sirva regado com calda de ameixas ou maçãs, que é feita cozinhando qualquer dessas frutas em água com açúcar até dar ponto de calda.

Figos envoltos em chocolate
Lave 6 figos em calda e deixe secar numa peneira por 24 horas. Passado esse tempo esfregue os fios com um pano seco. Depois derreta 400 g de chocolate ao leite em banho-maria. Desligue o fogo e quando estiver amornando, mergulhe os figos espetados em palito de dente. Em seguida, passe os figos em chocolate granulado.

Figos com leite condensado
Corte 24 figos frescos em fatias e disponha-as em camadas numa fôrma redonda, sem furos. Vá prensando uma camada sobre outra até encher a fôrma. Depois leve à geladeira por 5 horas no mínimo. Enquanto isso, ferva 1 latinha de leite condensado misturada com ½ latinha de água até ficar cremoso. Leve para a geladeira. Na hora de servir, vire a forma de figos numa travessa e sobre o bolo de figos despeje a calda.

Sorvete de figo
Lave bem e descasque 20 figos maduros e firmes. (Uma maneira de tirar a casca é cortar uma rodela na parte bojuda do figo, segurar pelo “cabinho” e introduzir uma colher de sobremesa entre a casca e a polpa, contornando delicadamente o fruto para tirar a casca.)
Então corte os figos em rodelas de cerca de 1 cm de espessura. Unte uma forma com furo no meio para pudim com suco de 1 limão. Forre a forma no fundo e nas laterais com uma camada de rodelas de figos Vá então fazendo camadas de rodelas de figos, borrifando com mistura de 100 ml de guaraná e ½ xícara (chá) de licor de laranja. Depois que a fôrma estiver preenchida, aperte bem, cubra com papel-filme e leve ao congelador por 2 horas. Para servir, retire o papel filme e desenforme. Sirva com creme de chantilly.

JACA: UMA ARMA CONTRA A TOSSE

Nativa da Índia, mas já muito bem aclimatada ao Brasil, a jaqueira é uma parente do figo, pois pertence à mesma família botânica, a das Moráceas. Seu nome científico é Artocarpus integrifolia. O gênero Artocarpus, que em latim significa “colhido no Sul”, inclui cerca de 70 árvores espalhadas pelo mundo tropical, dentre as quais se destaca a jaqueira indiana e a fruta-pão malaia (Artocarpus incisa e outras), também comuns no Brasil. Já a palavra integrifolia significa “de folhas inteiras” e designa a espécie que produz as jacas comestíveis.
Introduzida no Brasil no tempo de D. João VI, que criou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1809, a jaqueira adaptou-se bem às regiões quentes e úmidas e se espalhou por boa parte do território. Já era tão comum no País no século 19 que um botânico chegou a batizá-la de Artocarpus brasiliensis.
A jaqueira é uma árvore grande que pode chegar a 20 metros de altura e ter mais de 1 metro de diâmetro de tronco. Os frutos nascem diretamente no caule, como ocorre com as jabuticabas, e são muito perfumados. Por conterem muita matéria orgânica, adubam o solo em volta da árvore, que se torna extremamente fértil.
Os frutos da jaqueira são alguns dos maiores do mundo, pois chegam a pesar 40 quilos. Sua casca é dura e cheia de “bicos”. Para se ter uma idéia de como era uma compota comum no Brasil e na Europa do século 19, é só lembrar que foram os bicos da casca da jaca que inspiraram os potes cristal feitos para conter suas compotas: trata-se do famoso cristal bico-de-jaca.

Comum em regiões tropicais da Ásia, como Bengala, Ceilão, Indochina, Indonésia, e da África, como Zaire, a jaqueira é uma das plantas sagradas das religiões africanas. Como as figueiras, possui um látex grudento, mas não tão cáustico, que antigamente era usado para apanhar passarinhos (quando ainda havia passarinhos). Cresce rapidamente e começa a produzir aos 5 anos.
O fruto e as folhas servem de ração animal. A madeira é de boa qualidade e escurece exposta ao ar, ficando da cor do mogno. É uma das poucas que não se oxidam em contato com metais e por isso é usada na construção mista.
Existem dezenas de variedades de jaqueira, mas no Brasil três são as mais cultivadas: a jaca dura, a jaca mole e a jaca-manteiga. As variedades mole e manteiga são menores e mais doces.
Como alimento a jaca é energética, pois possui grande quantidade de açúcares e outros carboidratos, que são rapidamente queimados, fornecendo energia para esforços extras. Contém ainda vitaminas A, do complexo B, e C, além de sais minerais como ferro e até cobre, que tornam útil no cardápio. Hoje em dia nas grandes cidades pouca gente sabe que as sementes têm até mais componentes úteis que a polpa, com mais fécula e menos açúcar. Consumidas cozidas ou assadas, tem sabor que lembra o das castanhas-portuguesas.
Por serem da mesma família, tanto o figo como a jaca possuem características comuns, como o fato de combaterem a tosse e problemas no aparelho respiratório por causa das mucilagens protetoras semelhantes que esses primos contêm.
Os benefícios da jaca para o aparelho respiratório já eram louvados no século 19 pelo cientista Joaquim de Almeida Pinto, que coordenou a publicação do Dicionário de Botânica Brasileiro em 1873. No verbete jaca desse dicionário, Almeida Pinto diz que a jaca encerra “uma excelente propriedade, a de combater a tosse de qualquer natureza”.

FICHA TÉCNICA DA JACA

Principais ingredientes a cada 100 g

Calorias – polpa 52
Calorias – semente 136
Carboidratos – polpa 10 g
Carboidratos – semente 30 g
Proteínas – polpa 2,2 g
Proteínas – semente 3,5 g
Gorduras – polpa 0,30 g
Gorduras – semente 0,30 g
Vitamina A – polpa 39 mmg
Vitamina B1 – polpa 0,09 mg
Vitamina B2 – polpa 0,11 mg
Vitamina C – polpa 9 mg
Cálcio – polpa 30 mg
Cálcio – semente 50 mg
Fósforo – polpa 20 mg
Fósforo – semente 80 mg
Ferro – polpa 2 mg
Ferro – semente 8 mg

RECEITUÁRIO

CULINÁRIA

Sorvete de jaca
Tire o caroço de 1 kg de jaca mole ou jaca manteiga e leve a polpa para cozinhar por 15 minutos. Deixe esfrirar. Bata no liquidificador junto com ½ litro de leite, 1 lata de leite condensado, 1 lata de creme de leite e algumas gotas de limão. Coloque em potes d eplastico e leve ao congelador por 40 minutos. Em seguida retire corte em pedacinhos e bata no liquidificador para ficar cremoso. Volte a congelar por 1 hora e sirva.

Musse de jaca com calda de laranja
Cozinhe por 15 minutos 2 copos americanos de polpa de jaca sem sementes e 1 copo americano de açúcar em 3 copos americanos de água. Não deixe a jaca desmanchar. Amorne, tire polpa e deixe esfriar num escorredor. Agora bata no liquidificador 1 lata de leite condensado, 1 lata de creme de leite, 1 pacote de gelatina sem sabor diluída em 5 colheres (sopa) de água quente e 1 copo americano de leite. Acrescente a polpa da jaca e bata por 5 minutos. Depois despeje essa musse numa fôrma para pudim untada levemente com óleo e leve à geladeira por cerca de 4 horas, até que endureça. Desenforme numa travessa. Sirva despejando sobre a musse a seguinte calda fria: ferva em fogo baixo 2 copos americanos de suco de laranja e ½ copo americano de açúcar até dar consistência de calda.

Doce de jaca
Caramelize 1 xícara (chá) de açúcar, sem queimar. Apague o fogo, adicione mais ½ xícara (chá) de açúcar e água suficiente para fazer uma calda fina. Tempere com cravos-da-índia e paus de canela e volte a cozinhar. Retire os caroços de 1 kg de jaca e junte os bagos à calda, deixando apurar.

Doce de jaca
(outra receita)
Limpe bem os bagos de 1 e ½ kg de jaca e tire os caroços. Ferva 1 xícara (chá) de água com ½ kg de açúcar e o suco de 1 limão até ficar uma calda rala (cerca de 15 minutos). Acrescente a jaca e continue a cozinhar em fogo baixo até a calda engrossar (cerca de 30 minutos). Guarde na geladeira.
Farinha de semente de jaca
Cozinhe as sementes de jaca em panela de pressão por vinte minutos em água suficiente para cobri-las. Depois retire a casca transparente e dura. Esfregue num pano para retirar a película escura. Corte as sementes em pedaços e passe numa peneira. Use para enriquecer a farinha de trigo em pães, bolos e doces.

Moqueca de semente de jaca
Lave 1 kg de sementes de jaca e cozinhe cobertas de água em panela de pressão por 20 minutos. Escorra. Retire a casca dura e transparente. Pode manter a casca fina marrom. Adicione temperos, como salsa, cebolinha, alho, cebola e tomate picados, um pouco de sal e cozinhe por 10 minutos. Adicione 1 garrafinha de leite de coco e 1 colher (sopa) de azeite de dendê e cozinhe por mais 1 minuto. Desligue o fogo e mantenha a panela tampada até servir. Se quiser, corte as amêndoas ao meio.

Bolo de sementes de jaca
Bata 3 claras em neve, adicione 3 gemas, uma a uma, 1 e ½ xícara de açúcar, 2 colheres (sopa) de manteiga. Bata bem até ficar homogêneo. Acrescente 3 xícaras (chá) de sementes de jaca cozidas, descascadas, amassadas e peneiradas, ½ xícara (chá) de farinha de trigo, 1 xícara de leite (de gado, coco ou soja) e 2 colheres (chá) de fermento em pó. Asse em forma untada em forno brando até ficar dourado (mais ou menos ½ hora).


MEDICINA POPULAR

Contra a tosse
Ferva 5 gomos de jaca, 2 colheres (sopa) de folhas de jaqueira, ½ xícara (chá) de açúcar em 1 xícara (chá) de água até ficar em ponto de calda. Deixe amornar, coe e tome 3 colheres (sopa) ao longo do dia. Paralelamente, é bom consumir jaca no café da manhã, nas refeições, como sobremesa, e no lanche da tarde.

Laxante suave
Consuma jaca madura ou jaca em compota no café da manhã, em lanches e refeições.

Para regularizar os intestinos
Coma caroços de jaca cozidos ou assados e sem a pele dura e transparente, podendo deixar a película escura.

Contra asma
Ferva 1 colher (sopa) de raiz seca picada em 1 xícara (chá) de água durante 10 minutos. Coe e tome, morno, ½ xícara (chá) 2 vezes ao dia.


Clister contra cólicas intestinais
(receita tradicional indiana)
Ferva 100 g de polpa picada com as sementes e 1 xícara (chá) de folhas de jaqueira durante 5 minutos. Deixe amornar e use como clister, com aparelho apropriado.


FRUTA-PÃO: ESSA RICA DESCONHECIDA

A fruta-pão (Artocarpus incisa) é uma árvore nativa do arquipélago malaio que pode atingir 20 metros de altura. Seus frutos, que dão nas pontas dos galhos e não no tronco, como na sua irmã, a jaqueira, podem chegar a 2 kg, com 25 cm de diâmetro. É um vegetal muito antigo, que já existia quando os continentes eram unidos, há mais de 100 milhões de anos, pois existem fósseis de uma planta do gênero Artocarpus muito parecida com a fruta-pão na Groenlândia.
Adaptou-se bem ao Brasil, onde foi introduzida no começo do século 19, mas não adquiriu importância econômica porque não caiu no gosto da população. Embora exista em sítios no país todo, apenas nos Estados de Pernambuco e Bahia é regularmente consumida pela população da zona da mata, mais úmida. Apesar de desconhecida na maioria dos grandes centros, é uma fruta saudável, com mais vitaminas ainda que a jaca e grande quantidade de cálcio.
É um alimento importante em várias ilhas do Pacífico. Como a pupunha, pode substituir o pão no café da manhã. Pode ser comida crua (mas é muito fibrosa), assada, cozida ou frita, acompanhada de manteiga. Cozida em calda de açúcar, dá uma nutritiva compota. Quando fresca é perfumada e, cozida, seu sabor fica entre o das castanhas-portuguesas e o da batata-doce. Tem vitaminas e sais minerais, além de mucilagens ácido cítrico, dextrinas e pectinas. Uma de suas pectinas, a artocarpo-papaiotina, é um fermento vegetal. São essas substâncias e os aminoácidos contidos na polpa que a tornam digestiva e tônica para os intestinos. Também lubrificam e tonificam outras mucosas, inclusive do aparelho respiratório.
Segundo o botânico Pio Corrêa, é planta medicinal muito conhecida dos asiáticos, com diversas propriedades úteis. A raiz é vermífuga, as folhas, antidiarréicas e, quando cozidas, usadas no tratamento de reumatismo.
As flores frescas são antiinflamatórias e cicatrizantes. As cascas dos ramos novos, maceradas, fornecem fibras para esteiras. O látex extraído dos ramos novos, de aspecto semelhante ao leite de vaca, é cicatrizante e também serve para impermeabilizar barcos e para fazer cola.
Está adaptada ao mesmo tipo de clima tropical úmido da jaqueira. Existem diversas variedades dessa espécie, sendo preferida no Brasil a que não produz sementes.
As mudas dessa variedade, conhecida como apirena, são retiradas de brotos e rebentões que surgem nas raízes. É possível também fazer estacas de raízes com 20 cm de comprimento e 1,2 cm a 6 cm de diâmetro.
Nas outras variedades, as sementes podem ser consumidas cozidas e tem quase os mesmos ingredientes químicos das sementes da jaqueira, da qual é parente próxima (irmã botânica, pois pertence ao mesmo gênero Artocarpus).

FICHA TÉCNICA DA FRUTA-PÃO

Ingredientes em cada 100 g de polpa

Calorias - crua 96
Calorias – cozida 121
Proteínas - crua 1,3 g
Proteínas – cozida 1,4 g
Cálcio - crua 29 mg
Cálcio – cozida 24 mg
Fósforo - crua 40 mg
Fósforo – cozida 67 mg
Ferro - crua 0,7 mg
Ferro – cozida 0,4 mg
Vitamina A - crua 2 mmg
Vitamina A – cozida 4 mmg
Vitamina B1 - crua 0,08 mg
Vitamina B1 – cozida 0,11 mg
Vitamina B2 - crua 0,06 mg
Vitamina B2 – cozida 0,06 mg
Vitamina C - crua 12 mg
Vitamina C – cozida 10 mg


RECEITUÁRIO DA MEDICINA POPULAR


Laxante suave
Coma fruta-pão cozida em substituição ao pão no café da manhã.

Contra corrimentos vaginais
Esmague 20 sementes de fruta-pão e misture com 2 xícaras (chá) de água quente. Coe num pano e faça lavagens.

Contra reumatismo
Ferva por 5 minutos 1 xícara (chá) de folhas de fruta-pão picadas de fruta-pão em 1 litro de água. Coe e aplique morno, em compressas, nos locais afetados.
Contra vermes
Ferva 1 colher (sopa) de raiz de fruta-pão picada em 1 xícara (chá) de água durante 5 minutos. Coe e tome pela manhã em jejum durante uma semana seguida. No oitavo dia, tome óleo de rícino.

Para fazer estourar furúnculos
Aplique uma fatia da polpa de fruta-pão aquecida e deixe 15 minutos no local. Repita a operação varias vezes ao dia.

CULINÁRIA

Farinha de fruta-pão
Corte a polpa de fruta-pão em fatias e deixe secar ao sol ou em forno superbrando. Depois bata no liquidificador. Use misturada com farinha de trigo para fazer pães, doces e bolos.

Torta de fruta-pão
Passe no processador 1 kg de fruta-pão cozida e aos poucos vá juntando 2 ovos, um a um, 2 colheres (sopa) de manteiga, 1 e ½ xícaras (chá) de leite e sal a gosto. Reserve e agora faça o recheio: refogue 1 cebola pequena picada em 2 colheres (sopa) de azeite de oliva, 300 g de carne moída e 1 tomate descascado picado, cozinhando até secar a água. Coloque metade do creme de fruta-pão numa forma refratária untada e por cima despeje a carne refogada. Cubra com fatias de queijo mussarela (300 g) e sobre o queijo despeje a outra metade do creme de fruta-pão. Polvilhe com 1 pacotinho de queijo parmesão ralado. Leve ao forno moderado por 25 minutos, para gratinar. Sirva quente.

Bolinho de fruta-pão
Cozinhe em água e sal e fogo alto 1 fruta-pão parda de 150 g cortada em pedaços até ficar macia. Descasque, pique, passe para um prato e amasse com um garfo. Junte 50 g de presunto picado, 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado, 1 colher (sopa) de manteiga e 1 colher (sopa) de sal. Amasse para misturar bem. Faça bolinhas com a massa, passe em farinha de rosca e frite em óleo bem quente. Escorra em papel absorvente e sirva.

Fruta-pão ao forno
(prato principal)
Lave bem uma fruta-pão grande e corte em 4 pedaços. Cozinhe numa panela de pressão com um pouco de água e sal. Descasque, passe no processador e divida em três partes. Espalhe a primeira parte numa forma pequena untada com molho de tomate. Sobre ela despeje uma camada de peito de frango desfiado (mais ou menos 300 g) refogado na manteiga com alho, cebolinha, pimenta do reino e sal. Sobre o frango despeje mais uma camada de fruta-pão amassada. E por cima despeje 300 g de queijo mussarela picado e 300 g de presunto picado. Cubra com nova camada de fruta-pão e sobre ela despeje uma mistura homogênea de 1 pote de requeijão e ½ pote de molho de tomate. Polvilhe com queijo parmesão ralado. Leve ao forno por 25 minutos até gratinar a superfície.

Nhoque de fruta-pão
Descasque 1 kg de fruta-pão (1 ou 2 frutos) e cozinhe em água e sal até ficar macia. Acrescente 1 ovo e 1 gema, 1 colher (sopa) de manteiga. Misture bem e vá incorporando 250 g de farinha de trigo aos poucos até ficar uma massa homogênea. Abra a massa em superfície enfarinhada e faça rolinhos compridos, com cerca de 1 cm de diâmetro. Corte em pedaços de 2 cm de comprimento. Cozinhe em bastante água com sal, colocando um pouco de cada vez, para evitar que grudem. Os nhoques bóiam quando estão cozidos. Sirva com o molho que preferir.

Sopa de fruta-pão
Cozinhe 1 kg de fruta-pão descascada em água e sal. Depois bata no liquidificador com algumas conchas da água do cozimento. À parte, frite 1 cebola picada em 1 colher (sopa) de manteiga. Quando dourar, acrescente ½ kg de carne seca dessalgada e picada. Refogue acrescentando 2 colheres (sopa) de azeite de oliva e pimenta malagueta a gosto. Mexa bem e acrescente 2 tomates sem pele picados e ¼ de xícara (chá) de salsa, coentro e cebolinha picados. Cozinhe por 10 minutos em fogo médio. Acrescente 1 e 1/2 litro de água e deixe cozinhar na pressão por 20 minutos. Junte o purê de fruta pão, misture e deixe cozinhar por mais 10 minutos. Retire do fogo, acrescente ¼ xícara (chá) de salsa, coentro e cebolinha picados e mexa bem. Sirva quente, com torradas.



OUTRAS PLANTAS DA FAMÍLIA DAS MORÁCEAS

A família das Moráceas tem 51 gêneros, com cerca de 1550 espécies. Além do figo, da jaca e da fruta-pão, a família engloba dezenas de outras plantas importantes, que descendem de ancestral comum e compartilham elementos estruturais e genéticos, tais como a forma da flor. Eis algumas moráceas, parentes do figo, da jaca e da fruta-pão.
Figueira-benjamim
A Ficus microcarpa é originária da Ásia, é usada em arborização urbana.
Figueira religiosa

A Ficus religiosa ou figueira-de-pagode, árvore indiana de grande porte e tronco grosso com raízes formando colunas em volta da árvore para sustentar sua grande copa. É sagrada na Índia. Conta a lenda que foi à sua sombra que Buda descobriu os mistérios do universo. Por isso é plantada à volta dos templos.

Figueira mata-pau
A Ficus hirsuta é uma árvore sul-americana. Quando suas raízes nascem em cima de outra planta, emite possantes raízes que acabam por estrangular a hospedeira.

Figueira elástica
A Ficus elástica, originária das montanhas do Nepal, é muito difundida no Brasil. De folhas grandes muito elegantes, é muito usada em decoração. Apesar de ser uma árvore grande, tolera a vida em vaso.

Hera-miúda
A Ficus pumila, originária da China, Japão e Austrália, tem caule lenhoso e fino que adere firmemente às paredes, forrando-as. Quando atinge a parte mais alta, passa a emitir galhos maiores e frutos grandes, não comestíveis.

Gameleira
É o nome dado a diversas espécies de figueiras imensas nativas do Brasil. Algumas são venenosas, como a Ficus atrox, da Amazônia; outras, usadas com critério, são medicinais, como a Ficus doharia, ou gameleira branca, nativa da Mata Atlântica. È purgante e serve para tratar doenças do fígado e do baço. A casca é usada sob a forma de chá como tonico geral e, como cataplasma, para tratar reumatismo.

Caucho
A Castilloa ulei é uma árvore amazônica que produz borracha.

Caiapiá
A Dorstenia brasiliensis é uma erva nativa da MataAtlÂntica, de Pernambuco até o Rio Grande do Sul. Faz parte da farmácia dos índios guaranis, que a chamam de taporé. Seu rizoma redondo de casca vermelha contém dorstenina e ácido dorstênico e outras substancias que lhe conferem propriedades tônicas e diuréticas. Tem várias espécies afins, com as mesmas propriedades.

Lúpulo
O Humulus lupulus é uma trepadeira originária da Europa que serve para aromatizar a cerveja. É medicinal, agindo como tônico e depurativo.

Maconha
A Canabis sativa, planta nativa da Ásia, é hoje cultivada em todo o mundo. A resina que as inflorescências femininas emitem para atrair pássaros (daí seu nome “cana das aves” ) que lhe espalham as sementes é estupefaciente, sedativa, antidepressiva, tônica, anti-espasmódica e sedativa da asma. Também reduz o desconforto de quem faz quimioterapia para câncer ou Aids. Seu uso é proibido no Brasil.

Amoreiras
A amoreira branca (Morus alba) é nativa da China, mas cultivada em todo o Brasil. Seus frutos podem ser consumidos crus ou em geléias e tem grande quantidade de vitamina C. Depois de secos, são tão nutritivos como os figos e constituem comida básica no Afeganistão. Também servem para fazer vinhos e licores. A amoreira preta (Morus nigra) é originária do Irã e também já se dissemou por todo o Brasil. É muito semelhante à amoreira branca, mas seus frutos são cor de vinho. Podem ser comidos crus ou em geléias e têm ainda mais vitaminas que a amora branca. Com eles se faz um xarope para combater estomatites.

Embaúbas
As embaúbas constituem mais de 50 espécies nativas da Amazônia e do Centro-Sul do Brasil. Sempre acompanham os cursos de água ou as beiras das florestas, nunca ocorrendo em terrenos abertos, pois necessitam de umidade. Algumas espécies vivem em simbiose com formigas agressivas, que moram dentro de seus troncos e recebem como alimento um néctar segregado na junção dos pecíolos das folhas com o caule. As formigas conseguem proteção e alimento e em troca protegem a planta. É ornamental, com grandes espigas de flores vermelhas. Algumas espécies produzem frutos comestíveis, parecidos com o figo.



BIBLIOGRAFIA
BALBACH, Alfons, As Frutas na Medicina Doméstica, São Paulo, Edições A Edificação do Lar (Edel), s/d.
CASCUDO, Luís Câmara, História da Alimentação no Brasil, São Paulo, Editora Itatiaia/Editora da Universidade de São Paulo, 1983.
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ROTMAN, Flávio, A Cura Popular pela Comida, Rio de Janeiro, Editora Record, 10ª edição, 1986.
WALZBERG, Catharina, 170 Receitas para Recuperação da Saúde, Itapecerica da Serra, SP, Retiro para Recuperação da Saúde, s/d

SITES
Pesquisas genéricas
WWW.google.com.br
WWW.altavista.com
WWW.wikipedia.com.br
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Site de receitas
WWW.tudogostoso.com.uol.br

Pesquisas acadêmicas
WWW.google.academico.com
lattes.cnpq.br

2 comentários:

  1. olá, adorei saber um pouco mais sobre os benefícios que a jaca traz. Gostaria de saber se posso planta-la em um vaso, pois não tenho muito espaço e gostaria de um pé de jaca menor...rs.

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  2. olá, adorei saber um pouco mais sobre os benefícios que a jaca traz. Gostaria de saber se posso planta-la em um vaso, pois não tenho muito espaço e gostaria de um pé de jaca menor...rs.

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